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Bryonia alba pelo Dr. Carlos Melo.
ESTUDO PSICODINAMICO DE BRYONIA ALBA
Sua febre consiste principalmente de calafrios, e seus sintomas pioram por exercício, ainda que possam melhorar com os movimentos, devido aos efeitos alternantes. BRYONIA busca um refúgio, um "PORTO SEGURO", como se não houvesse segurança a sua volta. Bryonia busca a todo custo criar, construir sua segurança. Não se trata de uma falta de confiança em si, manifesta-se mais como uma falta de segurança no seu exterior. Bryonia é uma trepadeira que necessita se agarrar á alguma coisa. Sobe por uma árvore, por um tronco. Ela não consegue tirar do solo toda a água que necessita, ela também retira líquido do tronco por meio de pseudo raízes. Bryonia é um tipo seco, de mucosas secas e também seca no amor. Bryonia tem pouco amor para dar, mas quer receber. Como trepadeira, Bry não consegue se manter firme por si, necessita de alguma coisa para se apoiar. Psiquicamente Bry vai procurar algum tipo de apoio e tende a segurar até uma parte do seu próprio corpo. Ela não consegue se manter ereta por não ter um tronco grosso e é isto que busca um tronco fora de si para se agarrar. Este tronco é a casa, seu abrigo, seu refúgio. Aparece muitas vezes nas rubricas relacionadas à casa. A casa para Bry é mais no sentido de uma estrutura física que traz segurança. Se na casa houver uma companheira(o) melhor ainda, se houver filhos ótimo. Não precisa ser uma casa luxuosa, até mesmo uma casinha simples é suficiente para se sentir feliz e seguro. Um dos grandes sofrimentos de Bry é ter que morar numa casa alugada. Bryonia gosta muito de trabalhar, mas também gosta de descansar, de repousar. Bry tem uma dualidade marcante: TRABALHO/REPOUSO. No consultório usa expressões como : VOLTAR PARA CASA, VOLTAR PARA O PORTO SEGURO. A casa é o lugarzinho onde recarrego as baterias para o trabalho, é o lugar onde depois do trabalho encontro o meu ACONCHEGO, onde tenho minha cama, onde não preciso estar olhando o relógio, onde me sinto realmente protegido contra os ladrões, contra as violências do mundo. Simbologicamente aquela casinha, com esposa e filhos representa o tronco que a trepadeira Bry necessita para viver, para subir, para se apoiar, no qual sobe para se segurar.
Al - 17 - GRANDE SENSO DE INSEGURANÇA, COM DEPRESSÃO MENTAL, E MEDO DO FUTURO Quando perguntamos para um Bry o que é segurança, ele nos diz : é ter os recursos mínimos para a sobrevivência, a casa e depois outras coisas. Para Bry não é preciso que seja uma casa bonita, apenas uma casa espaçosa. Espaçosa para Bry é uma casa com poucos móveis, em que ele possa se movimentar. He - 1-27 - TEM MEDO DE NÃO TER OS RECURSOS PARA VIVER No Repertório foi incluído na rubrica "Medo da pobreza". Em Bry significa "Não ter o necessário para a segurança pessoal" onde se inclui casa, sobrevivência, etc., é assim que o paciente manifesta. Como temos visto o tema - palavra casa é muito forte em Bry. Uma mulher cujo marido vende a casa está sujeita a adoecer. Ela fará tudo para não permitir que ele venda sua casa, pois é a maior aquisição da sua vida. Há outros tipos que querem ter uma casa, mas nenhum com a intensidade de Bry. Ha - 14 - QUANDO ANDA, ELE CAMBALEIA PARA UM LADO E PARA O OUTRO COMO SE NÃO CONSEGUISSE SE MANTER EM PÉ FIRMEMENTE Sintoma físico que se reflete no psiquismo, como uma insegurança perante a vida. Ha - 22 - ESTÁ TÃO FRACO MENTALMENTE QUE SEUS PENSAMENTOS CESSAM, COMO SE ESTIVESSE PARA DESMAIAR, AO MESMO TEMPO CALOR NO ROSTO, PRINCIPALMENTE QUANDO ESTÁ EM PÉ Ha - 25 - ELA NÃO SABE O QUE ESTAVA FAZENDO, E DEIXA CAIR TUDO DE SUAS MÃOS A trepadeira tem que se agarrar através das gavinhas porque através das mesmas se mantém ereta. Ha - 418 - QUANDO TOSSE PONTADAS NO ESTERNO, ELE DEVE SEGURAR O PEITO COM AS MÃOS. PONTADAS SIMPLESMENTE POR TOCA-LO Ele tem que se agarrar à alguma coisa, até mesmo a si próprio. Ha - 499 - ELE NÃO CONSEGUE SE AGARRAR FIRMEMENTE COM AS MÃOS Ha - 546 - AS PERNAS ESTÃO TÃO FRACAS QUE ELAS QUASE NÃO CONSEGUEM SUSTENTA-LO QUANDO COMEÇA A CAMINHAR OU MESMO QUANDO ESTÁ EM PÉ A palavra SUPPORT em inglês significa ter as coisas, ter segurança. Também significa bolsa de estudos, aquele mínimo que uma pessoa precisa para viver como estudante. Como estamos vendo Bry busca na vida o mínimo para a sobrevivência. Se tem dito que Bry quer ficar rico, que tem muito medo de passar fome. Bry tem tudo isto minimizado, pois o mais importante para ele é ter um teto para morar. Tendo uma casa considera metade dos seus problemas resolvidos, tudo o mais se soma. SOBREVIVÊNCIA é um tema palavra de Bry e também de outros medicamentos como Calc, Calc-f, Sulph, Sep e todos os que têm medo da pobreza. Se o paciente diz quero apenas ter o mínimo para a sobrevivência isto pode indicar Bry. Bry repete muito : QUERO APENAS TER O NECESSÁRIO PARA VIVER : uma casa, um emprego, nada de riqueza. Ha - 629 - ANDANDO, PRINCIPALMENTE DEPOIS DE LEVANTAR DA CADEIRA E AO COMEÇAR A CAMINHAR UMA FALTA DE FIRMEZA EM TODAS AS PARTES DO CORPO COMO SE TODOS OS MÚSCULOS TIVESSEM PERDIDO SUA FORÇA, CONTINUANDO A ANDAR MELHORA Mais um tema-palavra: FIRMEZA. Seu corpo lembra um tronco fraco. Ha - 634 - PESO E FRAQUEZA EM TODOS OS MEMBROS Bry é lenta, tão lenta quanto Calc. O diagnóstico diferencial às vezes é difícil. Ao perguntarmos sobre o LUGAR IDEAL para viver os dois são totalmente diferentes. Bry quer simplesmente uma casa segura, uma casa onde tenha aconchego. Calc quer uma roça para produzir alimentos, tem muito medo de passar fome, corresponde à deusa Ceres, encarregada da agricultura, do trabalho pesado, dos arados. Como Bry, Calc faz as coisas devagar, mas bem feito. Ha - 693 - ILUSÕES ASSUSTADORAS COMO SE FOSSE ATACADO POR SOLDADOS, ESTAVA A PONTO DE FUGIR Não seria surpresa se um Bry dissesse que tinha medo de soldado durante a infância, porque o soldado atinge a segurança que ele precisa ter à sua volta. Se pode usar a rubrica "ilusão que é perseguido pela polícia ou soldado". Ha - 694 - ELA IMAGINOU QUE PESSOAS ESTRANHAS ESTIVESSEM A SUA VOLTA, ... FALAVA COMO SE FOSSE COM CRIANÇAS ESTRANHAS E QUERIA IR PARA CASA Bry não se sente segura entre estranhos e deseja ir para casa, seu porto seguro. Al - 1443 - GRANDE CLAUDICAÇÃO E DESEJO DE PERMANECER QUIETO Ha - 639 - ELE PENSA QUE ESTÁ MELHOR QUANDO ESTÁ DEITADO Ha - 633 - COM O MENOR EXERCÍCIO AS FORÇAS DESAPARECEM IMEDIATAMENTE Isto é num momento, no outro está trabalhando. Ha - 5 - ELE SE SENTE COMO SE ESTIVESSE EMBRIAGADO, ELE TENDE A FICAR DEITADO. Ha - 15 - DEPOIS DE SE MOVIMENTAR, ESTANDO EM PÉ, ELA SE INCLINA PARA UM LADO He - 45-3 - A CRIANÇA TEM AVERSÃO A SER CARREGADA NOS BRAÇOS OU SER LEVANTADA Tirando a criança do chão ela se sente perdendo o seu maior ponto de apoio, que são suas próprias pernas. Al - 38 - SEM INCLINAÇÃO PARA O TRABALHO Al - 39 - IMAGINAÇÃO MUITO PREGUIÇOSA; IMPOSSÍVEL REALIZAR QUALQUER PLANO PARA O FUTURO, ATÉ MESMO PARA O DIA SEGUINTE; O JULGAMENTO, POR SUA VEZ, ESTÁ IMPEDIDO Al - 654 - ELE É OBRIGADO A SE DEITAR PERFEITAMENTE QUIETO, O MENOR MOVIMENTO LHE CAUSA NÁUSEAS E ATÉ VÔMITOS É clássico se dizer que Bry piora pelo movimento. No Repertório existe até medo de se movimentar. O que ele passa ao homeopata no consultório é o medo de não conseguir obter os recursos necessários, se permanecer parado, imóvel na cama. Al - 1616 - AO ANDAR É OBRIGADO A SE DOBRAR CONSIDERAVELMENTE PARA A FRENTE A trepadeira Bry precisa de um tronco para não cair. Ha - 526 - VACILAÇÃO DAS COXAS, ESPECIALMENTE AO SUBIR E DESCER ESCADAS Ha - 27 - ELA DESEJA COISAS QUE NÃO ESTÃO PRESENTES Ha - 688 - NO SEU SONHO À NOITE ELA SE LEVANTOU E FOI PARA A PORTA COMO SE QUISESSE SAIR Aqui temos Bry no polo oposto, querendo sair de casa. Al - 13 - ANSIEDADE NO CORPO TODO, QUE O COMPELIA A FAZER CONSTANTEMENTE ALGUMA COISA E NÃO ENCONTRAVA REPOUSO EM QUALQUER LUGAR Al - 15 - NO QUARTO SE TORNA MUITO ANSIOSO, MELHORA AO AR LIVRE Al - 37 - SUPEROCUPADO, ELA REALIZA E TRABALHA DEMAIS Ha - 781 - MUITO OCUPADO, DESEJA REALIZAR E TRABALHAR COM MUITAS COISAS Deseja, mas não consegue porque é lento, acaba não fazendo muitas coisas. Al - 1823 - SONHOS NOS QUAIS ESTÁ MUITO ATIVO Al - 1772 - SENSAÇÃO DE FORTALECIMENTO Ha - 686 - SONHOS COM A ATENÇÃO VOLTADA PARA O SEU TRABALHO Como Rhus-t, Bry verbaliza que é preocupado com o trabalho. Ha - 687 - NOS SEUS SONHOS ESTÁ OCUPADO COM OS ASSUNTOS DA CASA Ha - 692 - DE MANHÃ, NO INÍCIO DO DIA, DELÍRIO FALANDO DO TRABALHO A SER FEITO Al - 20 - TENDÊNCIA A IRRITAÇÃO MAIOR QUE O USUAL; CONTRADIÇÃO PROVOCA FACILMENTE RAIVA Eis um sintoma que não tenho comprovado na prática clínica. Se compararmos Bry aos outros medicamentos da rubrica eu diria que é muito mais pacífico e que não se aborrece facilmente. Al - 21 - HUMOR IRRITADO (NÃO QUER SUA ESPOSA E SEUS FILHOS POR PERTO; QUER FICAR SÓ) Se poderia pensar que Bry não quer segurança, casar, ter filhos, mas lembrem-se da bipolaridade. Para Bry o tronco principal é a casa, depois vem a esposa que faz parte do tronco, também os filhos e em seguida vem o dinheiro que ele precisa para a sobrevivência. Al - 25 - IRRITADO; IMAGINA QUE NÃO CONSEGUE COMPLETAR SEU TRABALHO; CONSTANTEMENTE PEGA A PEÇA ERRADA E SEMPRE INCLINADO A PEGAR OUTRA COISA Al - 1886 - DORES SURGEM DURANTE O REPOUSO E DESAPARECEM DEPOIS DO MOVIMENTO É o sintoma que menos esperamos encontrar em Bry. Ha - 36 - DE MANHÃ A DOR DE CABEÇA COMEÇA NÃO AO ACORDAR, MAS LOGO QUE ABRE OS OLHOS E OS MOVIMENTA Ha - 83 - DE MANHÃ UMA GRANDE OLEOSIDADE NO CABELO DA CABEÇA; A CABEÇA ESTÁ FRIA E AS MÃOS SE TORNAM COMPLETAMENTE GORDUROSAS AO PENTEAR OS CABELOS Tem pele muito seca nos braços, mas parte do rosto é oleoso. É um sintoma chave. Ha - 207 - SECURA NA BOCA DE TAL FORMA QUE A LÍNGUA CHEGA A PREGAR NO PALATO Observação do Dr. José Laércio do Egito quando esta aula foi dada em Recife em 91: "Na Sicose primária, somaticamente há exonerações pelas mucosas das cavidades abertas, enquanto que na secundária se faz nas mucosas das cavidades fechadas. Em Bry ocorre exatamente assim, porque se trata de um medicamento bem situado ao nível da sicose secundária. Isto também corresponde ao nível psíquico, pois a impetuosidade psicótica é mais exuberante na fase primária. Na secundária a pessoa já está a meio caminho da quietude depressiva do sifilinismo, da negatividade. No sifilinismo há muita agressividade, porém de natureza totalmente diferente da agressividade sicótica. A agressividade, a impetuosidade sifilínica é essencialmente de natureza compulsiva, enquanto a sicótica é voluntariosa. A busca da quietude de Bry já reflete um passo em direção à fase depressiva sifilínica". Vale lembrar que todo medicamento é trimiasmático, tanto tem psora, como os polos positivo e negativo. Ha - 215 - VIOLENTA SEDE DIA E NOITE Ha - 436 - NA PARTE SUPERIOR DO ESTERNO UMA PRESSÃO COMO SE FOSSE A MÃO; ELA IMAGINOU QUE NÃO PODIA CAMINHAR AO AR LIVRE SEM SENTIR DOR ALI Ha - 583 - NAS POLPAS DOS DEDOS DOS PÉS UMA PONTADA COM UMA GRANDE SENSAÇÃO DE CALOR ATÉ O ANOITECER. DEVE TIRAR OS SAPATOS Agregar em Extremidades - pés - descobre - calor, por Ha - 747 - INTERNAMENTE SENTE UM GRANDE CALOR. O SANGUE PARECE QUEIMAR NOS VASOS SANGUÍNEOS Ha - 758 TRANSPIRAÇÃO QUE LEMBRA ÓLEO Al - 1647 - OS SINTOMAS DESAPARECEM DEPOIS DE UM CURTO REPOUSO, QUANDO FICA QUIETO NA CAMA, EXCETO A FRAQUEZA E O HUMOR MUITO DEPRESSIVO QUE PERMANECE O DIA TODO Uma boa parte da sintomatologia melhora por repousar na cama e é justamente isto o que Bry busca. Al - 1685 - DE MANHÃ ELE SE SENTE TODO MACHUCADO E MANCO, PARTICULARMENTE NO QUADRIL DIREITO Al - 1812 ACORDAVA POR TODO BARULHO, POR MENOR QUE FOSSE He - 6-1 - INTOLERÂNCIA AO BARULHO Bry deveria ser agregado a rubrica "Sensível ao menor barulho" He - 44-5 - INFLAMAÇÃO QUE LEVA A UM ESTÁGIO AVANÇADO DE EFUSÃO NAS SEROSAS
TEMAS - PALAVRAS DE BRYONIA: CASA - SEGURANÇA - SOBREVIVÊNCIA - O MÍNIMO DE RECURSOS PARA - FIRMEZA - FICAR QUIETO - PAZ ESPIRITUAL - TRANQÜILIDADE - REPOUSO - EQUILÍBRIO - PRODUZIR - ACONCHEGO - PORTO SEGURO.
C A S O S C L Í N I C O S I CASO 45 anos, sexo feminino Sinto batedeira demais, sinto muito queimor nas artérias, na artéria esquerda do pescoço. Rebentaram veias nas duas pernas. Ainda sinto dor e ardor por dentro, ando inchada com a pressão alta desde um episódio de eclâmpsia ocorrido há 22 anos. Tem dia que sou meio geniosa, mas passa logo, sou muito fechada. Não me abro para os outros. Não tenho coragem de falar dos meus problemas, nem mesmo para o meu esposo. ("Agrava com estranhos". Até o esposo pode ser um estranho) INFÂNCIA : Muita vocação para trabalhos manuais (Como é um tipo muito quieto, pode ter tendência para trabalhos manuais). Sempre tive medo de gente morta (Bry tem medo de cadáver porque é uma coisa inerte), a empregada tinha que dormir comigo. Já sonhei que estava morrendo, matando, caindo em buracos, tirando gente da água. Sou lenta, gosto de fazer tudo bem feito. LUGAR IDEAL A casinha onde estou, ela é nossa, sempre adorei mexer com plantas. Oh! custei a adquirir um lugar para morar. Somos pobres, mas temos o necessário para viver. FUNÇÃO: Dona de casa. Sempre que posso ajudo a todos. Não sinto mais na casa da minha mãe a liberdade que sinto na minha própria casa. Quando saio quero logo voltar para minha casa (Bry pode gostar de sair, até de viajar, mas sempre está pensando em voltar para sua casinha). PERDA: tudo, a liberdade, a maneira de viver, os filhos, me ambientar em outro lugar seria difícil. RETORNO Deixei de ter as reações de geniosa, não chorei mais, não fiquei nervosa, nunca mais senti batedeira, nunca mais tive insônia, estou fazendo todo o serviço de casa sem cansaço, estou me sentindo outra. O ressecamento intestinal desapareceu, parei de usar o complexo 46. II CASO Sexo masculino, 32 anos. Sinto uma pressão à altura do peito, aparece mais por pensar no serviço, quando passo raiva, quando um cliente deixa de pagar, quando tenho que cobrir uma quota de vendas fico doido. Tornozelo direito inchado há 8 anos. Já tratei de varizes nas duas pernas. Tenho problemas digestivos que pioram à noite, especialmente se como churrasco, pão de queijo, cerveja. Com cerveja tenho gases e solta o intestino. Sempre fui tranqüilo, pacatão mesmo, nunca briguei na rua, detesto violência (Transtorno por violência). Gosto demais de minha casa, batalhei muito para construi-la. Tenho muita vontade de ter uma vida mais tranqüila e poder ficar com a família. Sou solidário com as pessoas. Minha casa é tudo, a casa é o mínimo que uma pessoa tem a obrigação de realizar; custou muito sacrifício, muita luta, tivemos uma série de dificuldades financeiras para construi-la. Fiquei sem carro, com dívidas em atraso. Digo brincando: No dia em que eu morrer quero continuar nela. (O paciente é evangélico). Espero um pouco mais de descanso, de sossego em minha casa LUGAR IDEAL: Gosto muito de trabalhar, de fazer sempre mais e mais, de ter a minha casa para viver e um sítio para o final de semana, de ter um lazer, esquecendo os atropelamentos dos lugares grandes. Um lugar onde eu possa pescar (outra que gosta muito de pescar é Cupr), andar bastante a pé, me embrenhar no mato, onde tivesse apenas os problemas normais, mas sem compromissos. SENTIR : Num lugar assim iria me sentir muito bem. A natureza da gente não é de andar em cima do relógio. Gostaria de dormir todo o tempo que pudesse, onde só estivesse a família e mais ninguém. PERDA : Um refúgio, uma calmaria. MOTIVO : Tomaram dele a casa para pagar uma dívida. JUSTIFICATIVA: Não estava produzindo para ganhar dinheiro, mas só para cobrir aquela dívida. INFÂNCIA : Tinha medo de defunto e sentia frio na orelha e no ombro. Medo de alma, mas não tinha medo do escuro. Gosto de ter o máximo de luz onde estou. Às 18 hs tenho vontade de ir para casa por receio de violência, medo de caminhar na rua fora de hora por ser perigoso. Sinto-me inferior num lugar onde tem gente de posses. Tinha medo de ficar noivo, de casar, de fazer dívidas, de não dar conta de ser um gerente. Quando tenho uma opinião formada e me propõem outra coisa não tenho nem diálogo para rebater. Minha pele é oleosa no nariz e na testa. Às vezes acordo à noite com o estômago cheio. III CASO Sexo feminino, 63 anos: Tenho uma alergia que me incomoda demais, mais nos braços e no rosto, piora à noite, mas também de dia. Há 3 anos fiz cirurgia, fiquei seis meses com colostomia, 6 meses depois surgiu a alergia. Tenho muitas varizes, úlceras já abriram várias vezes. Operei de mioma há 12 anos. Após colostomia engordei 20 kg. e fiquei cansada. Sou calma, me conformo com tudo. A vida tem altos e baixos. Não sou nem sofredora nem gloriosa. Trabalhei muito, me relaciono bem com empregados, gosto de caminhadas, sou bastante disposta. Estou pensando em viajar, passear, ter um pouco de lazer. INFÂNCIA : Aprendi de tudo, bordava, costurava, fazia as festas de aniversário da família, serviços domésticos. Gostava muito de arrumar a casa, passei a gostar de cozinhar na adolescência. Gostava de cuidar do jardim. Tinha medo de cobra, de doido sujo, rasgado, de cachorro louco, de ser agredida. O que mais me marcou foi o desquite, ele era um jogador, tudo que fazia era para o jogo. Evito a pessoa dele porque não se regenerou. Ele era de agredir, não concordava com o desquite. Foi muita luta, todos os filhos venceram, trabalham com independência. Considero-me realizada porque consegui vencer. Só tenho medo de ladrão, da agressão física. Gosto muito de arejar a casa, não dou conta de dormir com o quarto fechado, tenho que abrir janela, portas, para sentir o ar, se não abro me sinto angustiada, sinto que vai faltar a respiração, que não vou me sentir bem. Gosto de levantar cedo, sentir o amanhecer, parece que a gente fica mais corajosa para a luta do dia a dia. Se levanto tarde fico mal-humorada. Levanto às 5.30 hs. Faço tudo muito bem feito, não sou afobada, por isto levanto cedo LUGAR IDEAL: Vivo no lugar que gosto, moro no que idealizei morar, tenho o que quero dentro de casa, não falta nada. Todos os filhos moram na cidade. Idealizei a criação e educação dos meus filhos desde o casamento. Não deu certo. Parti para a luta, protegendo, dando o máximo de mim. (Se Bry busca a segurança, a proteção, é de se esperar que em troca também procure dar a mesma proteção) SENTIR: Estar bem comigo e achando que o que estou sentindo é o melhor para mim. Sinto prazer, satisfação, gosto de viver como vivo, não tenho nada para me contrariar, nada contra o meu modo de pensar. Prefiro calar, não aceito opiniões porque estou pensando correto. FUNÇÃO: Lá é um lugar para dormir, grande, espaçoso, tenho um quarto para cada filho me visitar. Passo o dia na "pamonharia", onde me relaciono bem com todos e faço o que gosto. Nunca gostei de ser funcionária pública. SAÍDA : Aprendi a aceitar tudo que me oferecem. Não sou de reclamar, tudo na vida tem altos e baixos. PERDA: Foi uma conquista, com esforço diário, muita luta para adquirir esta moradia, antes morava de aluguel. MOTIVO: Só se for por motivo de doença, por despesas inesperadas e tivesse que vender a casa para socorrer uma pessoa da gente. Não gosto de pessoas que procuram explorar a mim e aos outros, que gostam de sugar, pessoas que mentem, viciadas, fico revoltada. O criminoso pode ter agido num momento de falta de raciocínio, mas o ladrão poderia levar uma vida digna. Queria ter feito um bom casamento. Não esperava tantas cirurgias, mas os filhos compensaram o meu casamento. Perguntada sobe a casa já citada : É um amparo, uma proteção para o dia e a noite, para divertir, mais para reuniões de família. Não acredito muito em amizade, existe muito mais interesse, conveniência. Na casa espero encontrar sossego, paz, depois de trabalhar o dia todo. Moro sozinha e me sinto bem. Sou muito sistemática com minhas coisas. Tive parada respiratória durante a anestesia geral. Minhas varizes ardem, queimam, incomodam muito. Tenho evacuação diária, mas sou portadora de divertículos. Só deito quando estou doente. Quero estar sempre agindo, não posso parar. Estes dias tive muita dor nas juntas, é mais quando subo escadas. Cheguei a inchar as pernas, gosto muito de doces. RETORNO: Estou maravilhosamente bem, foi um milagre, sumiram todas as alergias, não senti mais dores articulares. Estou muito disposta para o trabalho, muito animada mesmo. Já estou planejando até viajar. Varizes pararam de doer, não sinto mais aquele cansaço.
O MITO DE LETO Dias e noites, meses e meses, uma única procura. De porta em porta: dos palácios às cabanas, dos templos aos covis, Leto rondou buscando abrigo para por no mundo os filhos que levava dentro de si. Filhos de Zeus. Mas a própria paternidade de suas crianças barrava-lhe as entradas. Pois Zeus, senhor supremo do Olimpo, era o marido de Hera, a mais ciumenta das deusas, que costumava perseguir as rivais até os confins da terra, e punia duramente quem ousasse recolhê-las. Apenas um imortal de iguais poderes seria capaz de enfrentar sua cólera. Poseidon, deus dos mares, decidiu ajudar a pobre Leto, a mais meiga, a mais clemente das deusas. Para refugiá-la, escolheu Delos, ilha flutuante, arisco rochedo sem raízes, áspera paisagem desprovida de plantas e de fontes. Ninguém a habitava: nem deuses, nem homens, nem animais. Talvez por isso a ira de Hera não chegasse até lá. Assim, Poseidon fixou Delos ao fundo do mar, e confiou-lhe a missão de hospedar os frutos de Zeus. A ilha teve medo. Ouvira dizer que um dos filhos do deus seria excessivamente orgulhoso e tremeria de raiva quando soubesse que um lugar tão miserável lhe servia de pátria. Talvez jogasse Delos no mar para sempre. Leto tranqüilizou-a, que nada temesse : o novo deus não lhe traria desgraça e sim prosperidade e alegria. Multidões viriam de longe para adorar seu berço sagrado e o pequeno torrão sem vida se tornaria rico e respeitado. Então a ilha consentiu e Leto deu à luz a Ártemis e Apolo. Neste instante o solo estéril de Delos floresceu porque Apolo trazia consigo o sol, a vida e a beleza.
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