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Os Medicamentos Homeopáticos
A origem dos medicamentos homeopáticos
Eles provêm dos três reinos da natureza (mineral, vegetal e animal) assim como de
substâncias industrializadas, de laboratórios biológicos e, em pequena proporção, de
materiais fisiológicos e patológicos.
O reino vegetal contribui com o maior número de medicamentos homeopáticos, sendo
alguns muitos importantes, como o Lycopodium clavatum (pó inerte antigamente usado
como excipiente em alopatia).
Como a Homeopatia começou na Europa, naturalmente a grande maioria dos medicamentos
são originários deste continente. Com a expansão da Homeopatia pelo mundo, outros
vegetais típicos de outras regiões foram, estão e serão incorporados àqueles
estudados por Hahnemann e seus discípulos.
A utilização dos vegetais na preparação dos medicamentos homeopáticos deve ser
precedida da perfeita individualização do vegetal (micro e macroscópicamente). Também
deve ser ter o conhecimento das partes ou parte da planta a ser utilizada. Se foi feita a
experimentação com a raiz de uma planta, por exemplo, é essa a parte que deve ser usada
para se fazer o medicamento.
As farmacopéias e/ou as matéria médicas homeopáticas trazem essa informação, que nem
sempre coincidem com a utilização feita de uma planta na fitoterapia. Também informam
como devem ser feitas cada uma das preparações de cada medicamento.
A Farmacopéia Homeopática dos EUA menciona também as condições atmosféricas,
época do ano, estado da planta em que se deve coletar o vegetal, levando-se em conta a
parte da planta a ser utilizada. Por exemplo: colher a planta toda na época da
floração, recolhida com sol.
O reino animal fornece menos matéria prima para a preparação do medicamento
homeopático, mas não é menos importante.
Os mesmos cuidados referentes ao reino vegetal são exigidos aqui:
perfeita individualização do animal, conhecimento da parte ou partes a serem utilizadas,
época do ano, estado do animal, idade e condições em que deve recolher-se a droga,
emprego do matéria vivo ou morto, fresco ou seco, local de coleta, etc.
Todas essas condições dever estar descritas na farmacopéia homeopática e/ou na
matéria médica.
O reino mineral é o segundo em importância pelo número de medicamentos que
proporciona. Podemos classificar esse produtos segundo sua origem em:
 | naturais - aqueles obtidos diretamente da natureza,
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 | químicos-industriais - obtidos em laboratórios ou na industria química farmacêutica,
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 | exclusivamente homeopáticos - obtidos segundo fórmulas originais de Hahnemann.
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Como nas preparações anteriores, aqui também se faz necessário o conhecimento exato
da fórmula química, denominação científica, natureza da droga, estado dela a
utilizar, condição de hidratação, local de coleta, etc.
Exemplos de medicamentos homeopáticos segundo sua origem:
1. Reino vegetal :
 | 1.1 - planta inteira - Pulsatilla nigricans, Aconitum napellus, Belladonna.
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 | 1.2 - folhas - Rhus toxicodendron, Thuya ocidentalis.
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 | 1.3 - cascas - China officinalis (casca do caule), Rhamnus frangula
(caule), Berberis vulgaris (casca da raiz). |
 | 1.4 - raiz - Ipecacuanha, Bryonia alba, Cimifuga racemosa.
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 | 1.5 - frutos ou sementes - Agnus castus, Coffea cruda, Anacardium
orientale, Nux vomica. |
 | 1.6 - flores - Calendula officinalis, Cina anthelminthica, Sambucos
nigra. |
 | 1.7 - bioterápicos - produtos patológicos - Secale cornutum (esporão do
centeio), Ustilago maydis (mofo do milho). |
2. Reino animal :
 | 2.1 - animal inteiro - Apis mellifica, Formica rufa, Blatta orientalis.
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 | 2.2 - sarcódios (secreção do animal são) - Calcarea ostrearum, Sepia
tinctoria, Moschus. |
 | 2.3 - Bioterápicos - de bactérias e suas toxinas, de
órgãos enfermos - Streptococcus,
Tuberculinas, Pyrogenium. |
 | 2.4 - Organoterápicos - ( orgãos frescos ou secos e secreções) - Tireóide e
tiroxina, ovério e foliculina, pâncreas e insulina. |
3. Reino mineral :
 | 3.1 - Origem natural - Kalium bichromicum, Acidum nitricum, Cuprum
mettalicum, Platinum metallicum, Natrum muriaticum, Carbo animalis,
Graphites, Sulphur. |
 | 3.2 - Origem industrial - Antipirina, Formalinum, Codeinum, Urotropinum.
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 | 3.3 - Exclusivamente homeopática - Hepar sulphur (sulphur mais Calcarea
ostrearum calcinados), Causticum, Mercurius solubilis.
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Nomenclatura
A denominação dos medicamentos homeopáticos deve seguir as regras internacionais de
nomenclatura botânica, química, biológica, farmacêutica e médica.
Ela se caracteriza por usar nomes que podem ser usados no mundo inteiro, pois Hahanemann,
tendo em conta esta necessária universalidade, adotou a língua latina, que é o que vem
a ser a nomenclatura científica. Suplementarmente poderá ser usada uma sinonímia comum,
popular ou indígena, a critério da Subcomissão de Assuntos Homeopáticos da Comissão
de Revisão da Farmacopéia Brasileira.
Tradicionalmente usam-se nomes latinos ou latinizados, com a primeira letra do gênero
com maiúscula e a primeira da espécie e sub-espécie em letra minúscula.
Exemplo, Arnica montana.
No caso de ser usado somente uma espécie de um determinado gênero, é facultado
omitir a espécie, desde que não vá criar confusões:
Arnica, para Arnica montana.
Casos em que não é possível usar, por exemplo:
Aconitum, pois existem o Aconitum napellus( mais usado) e o Aconitum
ferox.
Em casos de nomes já consagrados, é facultado usar somente o nome da espécie,
omitindo-se o nome do gênero.
Por exemplo:
Belladona no lugar de Atropa belladonna,
Chamomilla no lugar de Matricaria chamomilla,
Dulcamara, em vez de Solanum dulcamara,
Millefolium, em vez de Achilea millefolium,
Nux vomica, no lugar de Strychnos nux vomica.
Na terminologia de substâncias químicas, deve-se usar a nomenclatura científica
oficial completa, sendo, entretanto, toleradas as designações e as grafias antigas.
Exemplos :
No caso de compostos químicos, escreve-se, de preferência, em primeiro lugar o nome
do elemento ou radical de valência positiva, e em segundo lugar, o de valência negativa.
Exemplos:
Acidum hydrochloricum, em vez de Muriaticum acidum,
Acidum phosphoricum, em vez de Phosphori acidum,
Acidum nitricum em vez de Nitri acidum,
Acidum sulphuricum em vez de Sulphuris acidum.
O nome do medicamento homeopático pode ser abreviado, desde que não dê margens a
confusão.
Por exemplo :
Bell. ou Bellad., em vez de Atropa belladonna ou Belladonna.
Deve-se tomar cuidado com abreviações do tipo Kal. ch. ou Kal. chlor. que
tanto podem significar Kalium chloratum (Kal. chlorat.) como Kalium
chloricum (Kal. chloric.).
Rotulagem do medicamento no Brasil
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O medicamento homeopático, em qualquer apresentação, está sujeito às
determinações legais quanto à rotulagem. Dever-se-a obedecer às bases fundamentais da
Farmacopéia Brasileira:
 | 1. A denominação dos medicamentos obedecerá à nomenclatura adotada
internacionalmente. |
 | 2. A escala e a dinamização pertinentes a cada medicamento são dados imprescindíveis
nos seus rótulos, dos quais devem constar ainda os seguintes elementos: via de
administração, forma farmacêutica e nome da Farmacopéia onde se acha inscrito.
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 | 3. No caso de produtos perecíveis, os rótulos deverão trazer prazo de validade,
cuidados de conservação, incluindo a necessidade de refrigeração se for o caso.
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Nome do medicamento, grau de diluição, dinamização, escala utilizada,
Forma farmacêutica (líquido, trituração, glóbulos, pastilhas, comprimidos, etc)
Via de administração (uso interno ou externo)
Farmacopéia (Farmacopéia Homeopática Brasileira),
Conteúdo: 15 ml, 10 g., etc,
Data de fabricação: março/92 ( ou 7/março/92), ou no caso de produtos com
conservação muito limitada, 48 horas, por exemplo.
Arnica montana
líquido 15 ml
uso interno
março/92
Farm.Hom.Bras.
Métodos de dinamização
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1. HAHNEMANNIANO, CLÁSSICO OU DE FRASCOS MÚLTIPLOS
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Escala centesimal
Para obter-se 100 partes da primeira diluição centesimal (C1), colocar
no primeiro frasco:
99 partes de veículo
1 parte do insumo ativo
(forma farmacêutica básica- tintura mãe ou trituração)
De acordo com a Farmacopéia Homeopática Brasileira, deve-se dar 20 sucussões
vigorosas. A técnica descrita por Hahnemann, em seu Organon prescreve 100
sucussões, embora seja discutível se esta citação é para a dinamização de
centesimais ou apenas das cinqüenta milesimais. A primeira diluição centesimal é a
1/100 ou C1.
E assim sucessivamente.
Obs: Escala decimal
Esta escala não é considerada hahnemanniana.
Para se obter a primeira diluição (D1 ou X1), coloca-se 9 partes do veículo e 1
parte do insumo ativo ( tintura-mãe ou trituração).
Segundo a Farmacopéia Homeopática Brasileira, dar 10 sucussões vigorosas e obtem-se a
D1. Para se obter a D2, pegar 9 partes do veículo e 1 parte da D1, fazer sucussões e
obtêm-se a D2, e assim sucessivamente.
Usa-se o etanol diluído como veículo.
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2. KORSAKOVIANO OU FRASCO ÚNICO
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Este processo só é permitido, no Brasil, para preparações acima de 30 CH.
Pra obter-se a primeira diluição Korsakoviana (K31), coloque num frasco de 20 ml, 5
ml de insumo ativo (30 C).
Emborque o frasco, deixando o líquido escorrer por cerca de 5 segundos. A diluição
aderente às paredes do frasco constitui o insumo ativo (ponto de partida) para a
diluição seguinte. Colocar no frasco 5 ml de etanol diluído e proceda a 20 sucussões
vigorosas.
Esta diluição é designada K 31.E assim é feito sucessivamente.
Diferentemente do que ocorre em outros países, no Brasil, e particularmente em São
Paulo, a obtenção de medicamentos em média e alta potência (acima de 30 CH) está em
grande parte concentrada nas mãos dos laboratórios, já que as farmácias não dispõe
de equipamentos de fluxo contínuo.
Segundo Hahnemann no parágrafo 270 da sexta edição de seu Organon, um tipo de
preparação que produz medicamentos com maior desenvolvimento de poder curativo, e de
ação mais suave (menos agravações).
Abstenho-me de descrevê-lo por não dominar o entendimento desse método.
Medicamentos
As formas mais comuns são gotas ou glóbulos, mas a Farmacopéia Homeopática
Brasileira registra também tabletes, comprimidos, pós, pomadas, cremes, óvulos,
supositórios, colírios e outras.
 | GOTAS- são preparadas em soluções hidroalcólicas, de 30 a 70%. de acordo com o
estabelecido no receituário ou em sua falta, a critério do farmacêutico.
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 | GLÓBULOS- são preparados de sacarose e recebidos inertes pela farmácia e são
impregnados pela potência desejada, com álcool acima de 70%. |
 | TABLETES- podem ser preparados na farmácia a partir de massa feita com solução
hidroalcólica com o medicamento e lactose, ou da própria trituração umedecida em
solução hidroalcólica.É moldada em tableteiros e tem como desvantagem serem frágeis e
quebradiços. |
 | COMPRIMIDOS- são também de lactose, porém feitos por máquinas industriais de alta
compressão, dando um produto final duro e resistente. |
 | PÓS- são preparados a partir da impregnação de lactose com o medicamento prescrito
(solução hidroalcólica de 70% ou mais), ou da própria trituração inicial das
substâncias. É acondicionado em papéis. |
 | POMADAS- compostas por lanolina e vaselina, são untuosas, e geralmente
veiculam
tinturas fitoterápicas. |
 | CREMES- emulsões formadas por uma base oleosa e outra aquosa, menos untuosa, também
geralmente veiculam fitoterapia.
Quantidades de medicamento a ser
dispensada
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É o volume de medicamento que a farmácia deve preparar. Caso não seja determinado,
fica a critério do farmacêutico.
Exemplos :
 | Nux vomica 12 CH líquido .
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 | Nux vomica 12 CH X/30 ml (10 gotas em 30 ml de água), tem validade de 48 horas.
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 | Nux vomica 12 CH V/XXX/20 ml (5 gotas em 20 ml de álcool a 30%).
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 | Nux vomica 12 CH glóbulos.
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As dose únicas líquidas serão aviadas com 4 gotas do medicamento em 2ml de água
destilada, com validade de 48 horas, ou alcoolizada até 30% (aumentando seu prazo de
validade), a não ser que o clínico queira de modo diferente.
As sólidas serão aviadas em 5 glóbulos ou 1 comprimido, ou 1 tablete, ou 1 papel.
A quantidade e a freqüência da tomada dos medicamentos é determinada pelo clínico.
Pode ser dose única ou repetida, a quantidade de gotas ou glóbulos a ser ingerida deve
ser especificada, etc.
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baseado em apostila do Curso de Homeopatia da Associação Paulista
de Homeopatia, da farmacêutica Dra. Valéria Ota Amorim.
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