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Prognóstico clínico dinâmico
PRÓ= antes + GNOSIS=
reconhecer.
Ou seja, é a arte de predizer o progresso e o fim da enfermidade.
(Dr. Maffei - médico
patologista - já falecido)
São, na verdade, um conjunto de observações
que homeopatas clássicos fizeram correlacionando a primeira prescrição do medicamento, o
que se deve esperar de evolução do caso com o estado do paciente.
Utilíssimos, mas que
exigem boa observação de seu paciente e um melhor relato nos animais.
Diferem do prognóstico em outras terapêuticas pelo fato de que, embora o clínico não
saiba com certeza o que esperar de reação do paciente depois que o medicamento é dado,
sabe o que fazer com os resultados desta medicação nele. Pode dar uma falsa
sensação de insegurança ao clínico, mas com certeza dá a ele um campo de ação muito
maior, já que mesmo em casos clinicamente incuráveis há a possibilidade de melhoria das
condições do paciente.
Classificação clínica na primeira
prescrição, segundo Dr. Elizalde ( médico homeopata argentino):
- é o que se observa ao se analisar o
paciente na primeira consulta-
-
Funcional= manifestações sensoriais,
alterações bioquímicas;
-
Lesional Leve= alterações em
órgãos e tecidos
não vitais;
-
Lesional grave= alterações em
órgãos e tecidos
vitais;
-
Incurável= alterações tão graves e profundas
em órgãos e tecidos vitais (incluindo alterações mentais) que são irreversíveis.
Sempre lembrar que incurável é a lesão e
não o ser que está sendo tratado. E isto significa que mesmo num paciente incurável o
uso de um medicamento bem elegido é útil..
E ainda segundo
Elizalde, no caso de ser dado o
simillimum
:
-
Funcional= melhoram os sintomas mentais, gerais e
funcionais com sensação subjetiva de bem estar geral. Ocorre portanto uma melhora suave,
progressiva e sem agravações.
-
Lesional Leve= agravação curta e forte, seguida
de rápida melhoria.
-
Lesional Grave = Agravação prolongada, seguida
de lenta e segura melhoria.
-
Incurável= A deterioração energética chegou
ao máximo, porisso a tentativa do organismo equilibrar-se foi levada as últimas
possibilidades, não existindo nada para curar e portanto não há agravação, e se
espera uma paliação com melhora dos sintomas idiossincrásicos (os próprios do doente)
e morte em ataraxia (bem estar).
As 12 observações prognósticas de Kent
- são as situações que ocorrem após ter sido
medicado pela primeira vez o paciente-
Segundo Kent, na lição XXXV de seu livro, "Filosofia
Homeopática ":
"Depois de feita a prescrição, o médico começa a
observar. Todo o futuro do paciente pode depender das conclusões a que chega a partir
destas observações, e de sua ação, o bem do paciente. Se não entende o significado do
que vê, atuará de maneira equivocada, fará prescrições erradas, mudará os
medicamentos, agirá enfim, em detrimento do paciente. Não há um caminho a seguir e não
é capaz de substitutir a inteligência".
E, ainda Kent,
"Se conversar-mos com muitos médicos a
respeito das observações que se seguem à administração do medicamento, vocês
descobrirão que a maioria deles não possui senão fantasias ou noções vagas quanto a
esta questão, e não enxergam mais nada depois de feita a prescrição. As observações
que irei lhes expor são fruto de muita vigilância, de longas esperas e espreitas. Se o
homeopata não for um observador cuidadoso, suas observações serão imprecisas e suas
prescrições consequentemente também o serão.
"Presume-se que uma vez feita a prescrição, se ela for
correta, atuará. Ao atuar, o remédio começa imediatamente a provocar mudanças no
paciente que se manifestam através de sinais e sintomas. A natureza interna da doença se
mostra ao médico através dos sintomas, que lhe permitem situar-se com a precisão dos
ponteiros de um relógio. Este tempo de espreitar, esperar e observar necessita ser
cumprido, para que ele possa julgar através das mudanças que surgem, o que deve e o que
não deve fazer. É verdade que o homeopata em muitos casos não permanece muito tempo em
dúvida quanto ao que não fazer. Há sempre um indicador que lhe avisa o que não fazer.
Se for um observador arguto e atento, verá este indicador em cada caso. Claro que se a
prescrição não tiver correspondência com o caso, se for uma prescrição que não
efetua nenhuma mudança, não demorará muito para ele saber o que fazer: muita
paciência esperando por uma prescrição tola não passa de perda de tempo e isto também
deveria ser levado em conta entre as observações. As observações que tem valor são
realizadas após a administração de um remédio específico, suficientemente relacionado
com o caso para provocar mudanças nos sintomas."
As mudanças estão começando. Com que se parecem ? O que
significam ? A que conduzem ? Ao escutar o relato do paciente
(no caso de
veterinários, tanto o relato do proprietário, como sua própria observação),
o
médico precisa saber o que está acontecendo. Sabe-se que o remédio está atuando pela
mudança dos sintomas. O desaparecimento de sintomas, o aumento de sintomas, a melhoria de
sintomas, a ordem dos sintomas, constituem mudanças provocadas pelo remédio, e estas
mudanças devem ser estudadas.²
Uma das coisa mais comuns que os remédios fazem é agravar ou melhorar.
-
primeira observação= Prolongada agravação
seguida de aniquilamento final do paciente-
"o antipsórico era muito profundo e produziu uma destruição, a reação vital era
impossível, pois era incurável."
Também pode ter ocorrido que a potência era muito alta para a fraca reação. É
recomendável a 30C ou 200C (Kent).
Nestes casos geralmente o paciente chegou tarde demais
para ser tratado, sua energia não aguenta mais nem se manter. O que não impede de
dar-lhe um remédio que lhe seja paliativo, segundo Elizaldi e Roberts, deve-se medicar
pelos sintomas mais atuais.
Alguns estudiosos da Homeopatia dizem que nunca um remédio bem
elegido poderia fazer mal. Outros, que se a dose não for suave o suficiente, a
agravação pode até matar o paciente. Enquanto não se chega a um consenso, é
interessante seguir a indicação de Kent de dosagens.
Também há de se ter cuidado de se julgar incurável um caso que
não o é, e que cai na observação seguinte.
-
segunda observação= Longa agravação, mas
seguida de lenta melhoria final-
Indica paciente
lesional grave em orgãos ou tecidos vitais, mas ainda com energia suficiente para se
recompor. Podem durar meses e anos as agravações prolongadas.
"É necessária muita paciência, tanto do médico
quanto do enfermo, para só repetir a dose quando voltarem os sintomas pelo qual se
prescreveu."¹
São casos em que a boa observação do veterinário é
fundamental, para saber ver o que está acontecendo e não mudar o medicamento que está
sendo dado, desnecessáriamente.
Neste tipo de caso as chances maiores de um tratamento dar certo é em proprietários
homeopatizados, pois por conhecerem na prática como funciona a Homeopatia, terão mais
paciência para esperar os resultados quando estes forem mais lentos.
-
terceira observação= Agravação imediata,
curta e forte, seguida de rápida melhoria do paciente-
"Sempre que
virmos uma agravação que surge rapidamente, que é curta e mais ou menos intensa,
verificaremos que a melhoria do paciente será duradoura. A melhoria será acentuada, pois
a reação do organismo é vigorosa e não há nenhuma tendência para alterações
estruturais em órgãos vitais.
Qualquer alteração estrutural eventualmente presente estará a nível de superfície, em
órgãos que não são vitais; haverá a formação de abcessos e frequentemente glândulas
não essenciais poderão supurar em regiões que não implicam risco de vida para o
paciente. Estas alterações orgânicas são do tipo superficial." ²
Acontece quando o paciente é lesional leve.
Preconiza-se não interferir a não ser que seja demasiadamente incômoda ao paciente ou
ao proprietário (no nosso caso, é o proprietário quem menos suporta a agravação de
seu animal.)
Em humanos, é a agravação que ocorre poucas horas após a
tomada do medicamento, no caso das doenças agudas, ou durante os primeiros dias, em casos
crônicos. No caso de veterinários essa referência é um pouco complicada, porque cães
e gatos tem um limiar à dor e ao desconforto da doença maior que os humanos. Então as
vezes não observamos as agravações, mas mesmo assim conseguimos avaliar a sensação de
bem estar que vem com a melhoria da doença.
-
Quarta observação= Ocorrem curas muito
satisfatórias sem agravações - Nesta hipótese, o paciente tomou um
medicamento bem escolhido e é um paciente só funcional, não existia doença orgânica e
nem tendência para tal."Em curas que ocorrem sem qualquer agravação, sabemos
que a a potência é adequada e que o remédio é o remédio curativo, desde que os
sintomas desapareçam e a saúde retorne de maneira ordenada" ².
Ordenada, segundo Kent, significa que a cura deve seguir as suas
leis .
-
Quinta observação= Primeiro melhora, e depois
ocorre agravação- Depois de dada a medicação, o paciente se sente muito bem,
mais passado 4 a 5 dias ou uma semana, ele está pior do que estava antes de começar o
tratamento.
Segundo Kent, "Não é raro nos casos graves, nos casos com uma grande quantidade
de sintomas; mas diga-se o que se disser, a situação é desfavorável."
" Nesse caso, ou o remédio era só superficial e só podia agir como paliativo
ou o paciente era incurável, apesar do remédio ser de alguma forma adequado."
Deve-se reavaliar o caso para se saber qual das duas situações está ocorrendo. De
qualquer forma, se espera esse tipo de situação em doentes de lesionais graves a
incuráveis.
-
Sexta observação= Alívio demasiadamente curto
dos sintomas- Quando isso ocorre, ou algo no dia a dia do paciente está
atrapalhando a ação do medicamento ou as alterações nos orgãos são tão profundas
que são incuráveis ou estão se encaminhando para tal situação.
-
Sétima observação= Melhoria total dos
sintomas, sem haver no entanto alívio especial para o paciente- Existem
condições físicas que fazem com que sua melhora vá até certo ponto. Defeitos
congênitos, falta de algum orgão, lesões irreversíveis.
Segundo Kent "Ele é paliado neste caso e esta representa uma paliação
conveniente pelos remédios homeopáticos." Isto também significa que, mesmo
que o corpo não possa mais se curar, a procura pelo medicamento mais adequado para o
paciente deve ser feito, pois o alivia.
-
.Oitava observação= Alguns pacientes reagem a
todos remédios que tomam-
Pacientes hipersensíveis. Para Kent, "são pacientes com tendência a histeria,
superxcitados e hipersensíveis a todas as coisas. Diz-se que o paciente tem uma
idiossincrasia a tudo e estes hipersensíveis são frequentemente incuráveis".
Não é uma situação que ocorra com frequencia, mas são experimentadores natos em
humanos, exatamente por reagirem a todas substâncias que tenham contato, mostrando uma
rica sintomatologia.
Como hipótese, poderia dizer que pelo limiar alto que cães e gatos tem à dor e ao
desconforto, seria mais improvável de se encontrar entre eles tipos hipersensíveis.
-
Nona observação= Ação dos medicamentos sobre
os experimentadores-
Aqui Kent se referia a humanos que experimentam substâncias para se descobrir ou
comprovar suas qualidades curativas.
-
Décima observação= Novos sintomas que aparecem
após a tomada do remédio-
Segundo Hahnemann, nos §179 do Organon, 6ª edição,
"Em casos mais frequentes,
porém, o medicamento que, então foi escolhido em primeiro lugar pode ser apenas em parte
adequado, isto é, não exatamente adequado, pois não houve um número significativo de
sintomas que orientasse a escolha acertada".
§180
"É, então, que o medicamento, na verdade
tão bem escolhido quanto possível, mas imperfeitamente homeopático pelos motivos já
ponderados, em seu efeito contra a doença que lhe é apenas parcialmente semelhante -
como no caso referido acima, em que a escassez de meios de cura homeopáticos torna por si
só imperfeita a escolha - vai causar distúrbios secundários e diversos fenômenos de
sua própria série de sintomas se misturam com o estado de saúde do doente, os quais,
contudo, são, ao mesmo tempo, sintomas da própria doença, embora, eté então, nunca ou
raramente terem sidos percebidos; surgirão ou desenvolver- se- ão intensamente
fenômenos que o doente há pouco tempo antes absolutamente não percebia ou percebia
apenas vagamente".
§181
"Não se objete que os distúrbios agora surgidos
e os novos sintomas dessa doença ocorrem por conta do medicamento que acabou de ser
usado. Tais distúrbios provêm dele*; são, porém, apenas certos sintomas cujo
aparecimento dessa doença também já era capaz de produzir por si nesse
organismo e que o medicamento - na qualidade de auto produtos de sintomas semelhantes -
somente atraiu e fez aparecer. Em uma palavra, tem-se que considerar tudo o que agora,
seguramente, passou a ser á própria doença, como o verdadeiro estado atual e tratá-lo,
futuramente, de acordo com ele.
*Quando sua causa não foi um erro importante no regime de
vida, uma paixão intensa ou um fenômeno tumultuoso no organismo, como o início ou a
parada de regras, concepção, parto, etc.
Resumindo, segundo Kent,
"se um grande número de novos
sintomas aparecer depois da administração de um remédio, a prescrição geralmente se
mostrará desfavorável. De vez em quando o aparecimento de um novo sintoma representará
simplesmente um sintoma antigo que ressurge, que o paciente não havia observado e pensa
que é novo. Quanto maior a série de sintomas novos que aparece depois da administração
de um remédio, tanto maior dúvida haverá quanto ao acerto da prescrição.
Porém, duas situações podem estar ocorrendo :
- os sintomas que aparecem são sintomas do paciente, que o medicamento que está
sendo dado deveria cobrir e não cobre. Deve-se, então, procurar um medicamento mais
adequado, ou
- está sendo dada dose excessiva do medicamento e o paciente está mostrando sintomas do
medicamento e não os dele.
-
Décima primeira observação= Retorno de
sintomas antigos- Segundo Kent, "uma doença é curável na exata
proporção que retornam sintomas antigos que há longo tempo haviam desaparecido. Eles
desapareceram simplesmente porque outros mais novos surgiram."
São as Leis de cura se cumprindo.
-
Décima segunda observação= Sintomas tomam a
direção errada- Kent fala aqui de situações em que
"logo o médico
se dá conta de que houve um deslocamento da periferia para o centro e o remédio precisa
ser imediatamente antidotado, porque senão se produzirão alterações estruturais na
nova localização."
Estes são os casos de supressão. Alguns homeopatas
clássicos, como Eizayaga, argentino, não acreditam em supressão homeopática. Kent fala
que "há um grande perigo em se selecionar um remádio baseado unicamente nos
sintomas externos, isto ,é, em se selecionar um remédio que só tenha correspondência
com a pele, ignorando todos os demais sintomas que o paciente possa ter, ignorando a
economia como um todo e o estado geral do paciente; porque é verdade que aquele remédio
que só tem relação com a pele, pode conduzir para o interior a doença da pele,
fazendo-a desaparecer, embora o próprio paciente não esteja curado. Tal paciente
continuará doente até que aquela erupção retorne ou se localize em outro lugar."
Ou seja, a doença se aprofunda.
baseado em :
Godoy, Oscar Milton- Apostila do NUCLEON- Núcleo Homeopático
Hahnemann, Samuel - ORGANON da arte de curar. 6ª edição. São Paulo:1996. Robe
Editorial. 248pp.
Kent, James T.- Filosofia Homeopática.São Paulo:1996. Robe Editorial.301pp.
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